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Sangramento nas gengivas pode indicar falta de um nutriente essencial no seu corpo.

Pessoa a usar fio dentário junto a lava-louças com escova de dentes, frutas e planta decorativa.

Ver sangue no lavatório enquanto lava os dentes leva muita gente a pensar numa irritação passageira ou numa higiene oral menos cuidada. Só que os especialistas têm vindo a alertar: por detrás deste sinal está, com frequência, a falta de um único nutriente essencial de que o organismo precisa todos os dias - e que, ainda assim, muitas pessoas não consomem em quantidade suficiente.

Gengivas a sangrar: mais do que um “excesso de escovagem”

O sangramento das gengivas é muitas vezes associado ao clássico quadro de inflamação gengival ou a uma escovagem demasiado agressiva. Ambas as situações acontecem e ambas podem contribuir. No entanto, em muitos casos existe outro factor por trás: o corpo está a indicar que falta uma vitamina específica.

"O sangramento das gengivas pode ser um sinal precoce bastante claro de deficiência de vitamina C - muito antes de surgirem danos mais graves."

Recentemente, um especialista de saúde nos EUA trouxe o tema para a discussão pública num vídeo viral no TikTok. A mensagem central foi simples: se as gengivas sangram com regularidade, não basta trocar de escova - vale a pena rever a alimentação, sobretudo a ingestão diária de vitamina C.

Porque é que a vitamina C é tão importante para as gengivas

A vitamina C - também chamada, em termos técnicos, de ácido ascórbico - faz muito mais no organismo do que apenas “ajudar as defesas”. Actua profundamente nos tecidos e é indispensável para formar e manter a estabilidade do tecido conjuntivo.

Colagénio: a estrutura de suporte para gengivas e vasos sanguíneos (vitamina C)

O ponto-chave é este: o corpo precisa de vitamina C para produzir colagénio. O colagénio é uma proteína estrutural que funciona como uma espécie de “armação” e ajuda a sustentar, entre outras estruturas:

  • o tecido das gengivas
  • a pele
  • os vasos sanguíneos
  • ligamentos e tendões

Quando falta vitamina C, essa estrutura perde firmeza. As gengivas tornam-se mais frágeis, mais “moles” e sangram com maior facilidade. Além disso, os pequenos vasos podem romper mais depressa - e as nódoas negras surgem mesmo após impactos ligeiros.

As autoridades de saúde sublinham ainda um aspecto importante: o organismo praticamente não consegue armazenar vitamina C em quantidades relevantes. Na prática, isto significa que é necessário repor todos os dias.

O que uma verdadeira deficiência de vitamina C pode provocar

Nem sempre um copo de sumo de laranja resolve o problema. Se durante semanas ou meses a ingestão de vitamina C for muito baixa, aumenta o risco de uma doença carencial clássica, hoje conhecida sobretudo das aulas de História: o escorbuto.

Os sinais iniciais podem ir da fadiga à dor:

  • gengivas inchadas e a sangrar
  • cansaço persistente
  • dores articulares e musculares
  • cicatrização deficiente
  • nódoas negras frequentes

Se antes era uma condição típica de marinheiros em longas viagens, actualmente surge mais em pessoas com dieta muito restrita, consumo elevado de álcool, doenças gástricas ou em idosos que quase não comem fruta e legumes frescos.

"Quem, de forma prolongada, consome claramente pouca vitamina C vai danificando o tecido conjuntivo a partir de dentro - e o sangramento das gengivas está entre os primeiros sinais de alerta."

Quanta vitamina C precisam realmente os adultos

As sociedades científicas internacionais apontam, de forma geral, para uma necessidade diária de cerca de 75 a 90 miligramas de vitamina C em adultos saudáveis. Fumadores, grávidas, mulheres a amamentar ou pessoas com inflamação crónica tendem a ter necessidades superiores.

É praticamente impossível atingir excesso apenas através da alimentação. O problema mais comum é o contrário: pouca comida fresca e demasiados produtos ultraprocessados e refeições prontas. Aliás, muitos utilizadores referem isso mesmo nos comentários aos vídeos do TikTok: a alimentação actual teria, muitas vezes, menos nutrientes do que antigamente, enquanto o consumo de fast food e snacks aumenta.

As melhores fontes de vitamina C no dia a dia

A boa notícia é que, com alimentos comuns, costuma ser fácil cobrir a necessidade diária - desde que apareçam com regularidade no prato. Alguns exemplos particularmente ricos em vitamina C são:

Alimento Vitamina C por 100 g (aprox.)
Pimento vermelho 120–150 mg
Brócolos (crus) 80–90 mg
Morangos 55–60 mg
Laranjas 45–50 mg
Tomates 15–25 mg

Uma salada de pimento ou uma grande porção de brócolos pode chegar para cobrir a dose diária. As batatas também contribuem - apesar do teor mais baixo - graças à quantidade normalmente consumida, sobretudo quando são cozinhadas por pouco tempo.

O que ter em conta na preparação e na conservação

A vitamina C é sensível ao calor, à luz e ao armazenamento prolongado. Para preservar o máximo possível, ajudam algumas regras simples:

  • cozinhar a vapor por pouco tempo ou cozer “al dente”, evitando cozinhar em demasia
  • guardar fruta e legumes em local fresco e escuro
  • preparar o mais perto possível do momento de consumo, sem deixar dias à espera
  • não deixar estufados a fervilhar durante muito tempo; optar por cozedura suave

Desta forma, fica mais vitamina C na refeição - e, com isso, mais apoio para gengivas, pele e vasos sanguíneos.

Quando o sangramento das gengivas não tem relação com vitaminas

Apesar do papel claro da vitamina C, gengivas a sangrar nem sempre significam deficiência. Os dentistas alertam: atribuir automaticamente o problema à alimentação pode fazer com que se ignorem causas potencialmente mais sérias.

Entre os desencadeadores mais frequentes estão:

  • gengivite (inflamação das gengivas causada por placa bacteriana e bactérias)
  • periodontite (inflamação dos tecidos de suporte dos dentes)
  • técnica de escovagem demasiado dura ou inadequada
  • escova de dentes não adequada (cerdas demasiado rijas)
  • alguns medicamentos que interferem com a coagulação
  • alterações hormonais, como na gravidez ou na puberdade

Por isso, se o sangramento se mantiver apesar de uma boa alimentação e de uma higiene oral cuidada, o ideal é esclarecer a causa com um profissional - começando pelo dentista e, se necessário, também com o médico de família.

"Sangramento gengival regular deve ser sempre avaliado em consulta - seja para travar uma inflamação, seja para identificar uma deficiência nutricional."

O que pode mudar já, de forma prática

Antes de recorrer a suplementos, faz sentido olhar para o que existe no frigorífico. Aumentar pimentos frescos, citrinos, frutos vermelhos, couves e tomates é um primeiro passo simples. Quem não aprecia fruta pode optar, por exemplo, por sumos acabados de espremer, smoothies ou sopas de legumes.

Em paralelo, ajuda manter uma higiene oral suave, mas eficaz:

  • usar uma escova macia a média
  • escovar 2 a 3 vezes por dia, com movimentos circulares em vez de “esfregar”
  • usar fio dentário ou escovilhões interdentários 1 vez por dia
  • fazer limpezas dentárias profissionais com regularidade

Se estiver a tomar medicamentos que alteram a coagulação (por exemplo, certos anticoagulantes), é aconselhável falar com o médico caso o sangramento das gengivas seja recente ou se agrave.

Mais do que um “assunto de dentes”: o que as gengivas a sangrar dizem sobre a saúde

À primeira vista, o sangramento das gengivas parece apenas um problema dentário. Na realidade, pode reflectir o estado do tecido conjuntivo, dos vasos e das defesas - e o quão bem (ou mal) estão nutridos. Por detrás da linha vermelha junto ao dente, muitas vezes coexistem vários factores: alimentação, estilo de vida, hábitos de escovagem, medicação e idade.

Uma abordagem útil é simples: quem vê sangramento com frequência pode fazer, durante uma a duas semanas, um pequeno registo. O que comeu? Quanta fruta e legumes frescos houve? Iniciou algum medicamento novo? Nota diferenças quando passa a comer de forma mais consciente? Observações deste tipo facilitam a avaliação pelo médico e pelo dentista.

No fundo, este tema lembra um ponto tão básico quanto incómodo: o corpo avisa cedo quando algo está em falta. Nem sempre com dores intensas - por vezes com algo tão aparentemente banal como algumas gotas de sangue ao escovar os dentes. Levar esse sinal a sério ajuda a proteger não só o sorriso, mas também, a longo prazo, o coração, os vasos, a pele e as articulações.

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